Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

∙ poiein

do sentido da origem. a terra e o homem, o território e a arquitectura

caderno de viagem

encontraram-no na estante desarrumada. era tempo de confinamento e aproveitava-se o recolhimento obrigatório para voltar para dentro e descobrir a casa que o tempo e ritmo, suspensos, permitiam.
entre tantos outros que já não lembrava, este permanecia no maior silêncio. esquecido. iniciou-se uma viagem de encontros. na volta de página, o percurso de uma nova rua que se afigurava. e fui lembrando. lembrei as ruas, a companhia, os lugares visitados. os dias, as horas e os minutos passados. lembrei a cidade, as cores, as pedras, as paredes caídas. estava em Évora, e diante de mim o inusitado encontro com a memória. voltei a percorrer as ruas e a visitar monumentos traçados a caneta preta. no regresso, entendi o poder de um caderno de viagem para quem desenha, mas também para alguém que apenas folheia. pouco importa o que se viu, muito menos a direiteza do traço. o que conta na verdade, é descobrir a atenção do olhar desenhado. o demorado olhar, que procura ver e entender. no agora, com a distância entre tempos, percebem-se as intenções e objectivos conquistados, sobre um caminho que se vai materializando. não é um gosto saudosista, mas sim a lembrança que o presente está aqui, para brilhar.